O parlamento do Senegal rejeitou o projecto de orçamento rectificativo apresentado pelo Executivo, num momento em que as expectativas de transformação política enfrentam severos desafios económicos.

A votação contou com 109 votos a favor da rejeição, 20 contra e três abstenções, num universo de 132 deputados presentes.

Os parlamentares contestaram a credibilidade das projecções financeiras do Governo, apontando um défice previsto de 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e dúvidas quanto à execução dos investimentos públicos.

A situação económica é agravada pela revisão da previsão de crescimento para 2,7% em 2026, pelo aumento das subvenções energéticas para 790,3 mil milhões de francos CFA e por uma dívida pública que atingiu cerca de 132% do PIB no final de 2024.

Este impasse legislativo ameaça comprometer as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em torno de um programa de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares.

O Governo advertiu que o bloqueio poderá resultar na suspensão de pagamentos em atraso avaliados em cerca de 300 mil milhões de francos CFA a empresas de construção, afectando projectos vitais nas áreas da saúde, água e infra-estruturas.

O movimento PASTEF e a nova liderança do país enfrentam agora o dilema de conciliar as promessas de mudança com a disciplina orçamental exigida pelos parceiros internacionais.

O episódio evidencia que a conquista do poder político no continente africano exige igualmente capacidade de gestão económica e negociação institucional para garantir a estabilidade financeira.