O plano do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) para equipar agentes com luvas capazes de provocar choques eléctricos está a gerar forte contestação entre organizações de defesa dos direitos civis.
A agência pretende investir entre 10 e 20 milhões de dólares na aquisição das chamadas G.L.O.V.E., abreviatura de Generated Low Output Voltage Emitter. O dispositivo parece uma luva comum até ser activado pelo agente e foi concebido para provocar dor e dificultar a reacção de uma pessoa durante uma intervenção.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) apresenta o equipamento como uma ferramenta de “distracção e desescalada”, destinada a ajudar os agentes a controlar situações de resistência. A utilização deverá envolver formação específica e regras próprias para o uso da força.
A proposta, no entanto, levanta preocupações sobre possíveis abusos. A ACLU considera especialmente preocupante o facto de o dispositivo permitir aplicar dor de forma discreta, enquanto outros defensores dos direitos civis questionam se haverá mecanismos suficientes para impedir utilizações indevidas.
Casos anteriores envolvendo este tipo de luva também estão a alimentar o debate. Segundo a Associated Press, uma investigação relacionada com a morte de um homem numa prisão do Kentucky apontou para utilizações que ultrapassaram largamente o tempo recomendado pelo fabricante.




